quinta-feira, 15 de maio de 2008

Rochas vermelhas

Para os roqueiros que curtem anos 80: ontem revi o vídeo do U2 Live at the Red Rocks, de 1983. Show de vitalidade dos então jovens Bono, Larry, Adam e Edge. As dedilhadas de Edge - na guitarra e no piano - nas aberturas de Sunday bloody Sunday e New Year's day são riffs com a cara daquela década. Não estou exagerando ao achar que eles estão para os 80 assim como o riff de abertura de Satisfaction, de Richards, está para os 60.

Dados na mesa

O 1 a 0 do São Paulo no Fluminense foi justo. Até porque, depois de anos vendo jogos de futebol, justiça nesse esporte, para mim, é para quem coloca mais bolas na rede. Para o tricolor carioca, pouco mudou. A torcida tem mais é que fazer fila, comprar ingresso e lotar o Maracanã. Os paulistas continuam sendo, como antes do jogo, favoritos. Mas o jogo de quarta-feira terminar 2 a 0 para o Flu é a coisa mais normal do planeta.
Na Copa do Brasil, deu Botafogo x Corinthians e Sport x Vasco. Outra parelha sem favoritos, os times são muito equilibrados. O Vasco poderia ser, como no Estadual, considerada a quarta força - principalmente porque há algum tempo São Januário deixou de ser fator decisivo. Mas Leandro Amaral consegue, sozinho, erguer o time ao mesmo patamar dos outros. Palpite de final? Botafogo x Sport.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Querido rádio

Dia de homenagear um velho companheiro, meu e de milhares de brasileiros, que anda esquecido pelas novas gerações. Nos saudosos tempos em que eu era aluno da ECO, participei de um projeto saudavelmente maluco chamado Radinho Feliz, que era gravado no estúdio da Facha. Meu primeiro "emprego" foi um estágio não remunerado na hoje falecida rádio Imprensa FM, durante três meses, em 1986. Se puxar bem mais pela memória, o rádio teve participação importantíssima na minha infância e adolescência, desde os tempos em que ouvia o programa de Haroldo de Andrade - por tabela, já que a audiência principal era de minha mãe - até as transmissões de futebol da Rádio Globo, com Valdir Amaral e Jorge Curi, enquanto eu não tinha idade para ir ao sempre superlotado Maracanã, passando pelos programas de Beatles na 860 Mundial (com Big Boy) e Imprensa e Del Rey (com Mário Márcio, Aldo Gimenez e a turma dos fã-clubes). E, não podia faltar, a inesquecível Eldo Pop, que me iniciou no rock progressivo. Em 1977, era muito mais difícil do que é hoje para uma criança de 12 anos ir a um show de rock. Não vi o Genesis no Maracanãzinho. Mas ouvi tudo na Eldo Pop. Longa vida, pois, às caixinhas que falam.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Entre as canetas 2

Telê Santana foi um treinador brilhante, e teria a unanimidade merecida se tivesse conquistado uma Copa do Mundo. À competência somava-se uma sensibilidade e generosidade reconhecidas por todos quanto trabalharam com ele. Mas não era perfeito, fato comprovado quando se mostrava um tanto ranzinza com a imprensa e com quem o contestava. Em 1989, no Flamengo, um repórter de rádio entrevistava o então jovem zagueiro Rogério, que acabara de perder a posição para um já decadente Dario Pereyra. A conversa se dava bem na entrada do vestiário da Gávea. Telê estava a dois passos da porta quando ouviu a última pergunta feita em alto e bom som, característicos dos radialistas, ao jogador:
- Rogério, aqui no Flamengo a corda sempre arrebenta do lado mais fraco?
O zagueiro não teve tempo de responder. Telê partiu para cima do repórter e só não o agrediu porque a turma do deixa-disso, à qual eu integrava, não deixou.

Primeiras impressões

Sobre a abertura do Brasileirão:

1) O Flamengo tem time para brigar pelo título.
2) O Palmeiras também. A derrota para o Coritiba é só para que Vanderlei Luxemburgo dê a volta por cima e se valorize ainda mais.
3) O Cruzeiro também.
3) Botafogo, Inter, Vasco, Sport, Atlético-MG, São Paulo, Fluminense e Santos não estão nem aí para o campeonato - e o Corinthians só está aí porque a Série B é prioridade. E vão demorar a estar. Só o farão umas duas ou três rodadas após seus últimos jogos na Copa do Brasil e Libertadores. Agora é a hora de os outros grandes -leia-se os três citados nas primeiras notas, mais o Grêmio - acumularem gordura.
4) A Portuguesa não toma jeito. Não pode estar ganhando de 5 a 2, em casa, do Figueirense, e deixar empatar.
5) O Ipatinga vai cair.

Pontos G

Para começar bem mais uma semana, algumas dicas musicais cujos protagonistas casualmente começam com a letra G. Para a turma da MPB, o CD Plural, da Gal, de 1990, tem a baiana na conhecida boa forma vocal, excelentes arranjos e uma versão muito legal de "Begin the begine". Quem é mais chegado ao pop pode matar a saudade dos anos 80 com "Faith", de George Michael, privilegiando a excelente "Hand to the mouth", uma das menos divulgadas do álbum. E, last but not least, para os progressivos como eu, The lamb lies down on Broadway, do Genesis. É grande, em duração e qualidade. Se você estiver sem tempo, ouça e se emocione apenas com "The carpet crawlers". Uma ótima semana a todos!!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Como é gostoso o futebol

Nesta e nas próximas semanas, além de editar o caderno de esportes do JB, estou dando aula no curso de jornalismo esportivo da Fundação Mudes. As aulas são na Rua México, no Centro, e começam às 9h30. Nesta quinta, no trajeto de minha casa até o curso, ouvi pelo menos umas cinco referências ao Flamengo 0 x 3 América. Eram, evidentemente, torcedores dos outros grandes do Rio zoando os rubro-negros e vibrando como há muito tempo não faziam, por causa da catástrofe que atingiu o coirmão. Apesar de em minhas veias o sangue que corre ter o preto com o vermelho, não pude evitar boas risadas nesse trajeto. O que confirmou a minha certeza de que isso é o grande segredo do futebol: a gozação, a zoação, a integração que esse esporte promove entre os homens - quando estes têm espírito esportivo. Se não fosse isso, não teria a menor graça vencer ou perder, ser campeão ou ir dormir com uma surra de 3 a 0 nas costas.